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quarta-feira, 13 de abril de 2011

De um ser

Comecei a andar num belo dia

De olhos fechados - como de costume - andei pela ciclovia e nela perdi meus sentidos

Ao fechar os olhos enxerguei um lugar verde com cheiro de chuva molhada

Nesse plano em que me encontrava as dimensões nos horizontes não eram coincidentes

E então como um passo falho tropecei e caí sozinho apenas por que o meu horizonte não bateu com o dela


Segui e no demorado retorno - de olhos bem abertos - vi muitas coisas acontecerem

Raios cruzavam os céus e entre as nuvens jorrava energia rabiscada...

Foi nesse momento que vi uma nuvem me chamar

Ela tinha a forma de olhos como os meus

Mas havia um olhar místico e monalísico.


Tentava olhá-la mais intensamente, correndo olhos nos olhos

Mas a energia acima dissipada era tão intensa que fazia meus olhos enxergarem apenas o que esse plano tem

Segui sem conseguir levantar muito a cabeça

Na tentativa de enxergar mais olhei para cima, mas com irresponsabilidade, cego me tornei

E novamente olho o horizonte com meus sentidos ressabiados, gastos, maltratados.

por Santiago Muniz

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Lua de nossa fantasia

Lua que domina meu astral

Liberta-me um pouco de sua hegemonia

Permitindo meu caminhar com os pés no chão


Lua que tanto me inspiras

Iluminai o meu caminho devolta à casa


À casa qual me conforta

Mesmo em momentos como os tais

Posso lá me refugiar de sua luz

Que ilumina minha vida, mas também amedronta com primazia


Assusta, climatiza, aerifica, sintoniza


E aquele mesmo velho caminho que perseguia quando criança

(Que sabia toda a trajetória de olhos fechados)

Eras tu, em quem nunca havia reparado

De olhos abertos ou bem velados


Em belas e singelas mudanças

Assim como tuas fases (que tanto tento compreender)

Esperava já poder prever a clínica do luar que me abates

E que me deixa novamente com pneumonia


Mas,

Aqui estou, ainda que correndo riscos,

Desejando rever-te, pois sei que ainda habitas nosso céu

Mesmo que não possa ver, posso sentir

(Esta fase é nova pra mim)


Eis então que ponho-me à espera

Da lua que me guia

Da casa que me conforta

E da nossa fantasia

por Santiago Muniz